ZECA 02-JÁ O TEMPO SE HABITUA
Já o tempo
Se habitua
A estar alerta
Não há luz
Que não resista
À noite cega
Já a rosa
Perde o cheiro
E a cor vermelha
Cai a flor
Da laranjeira
À cova incerta
Àgua mole
Àgua bendita
Fresca serra
Lava a língua
Lava a lama
Lava a guerra
Já o tempo
Se acostuma
À cova funda
Já tem cama
E sepultura
Toda a terra
Nem o voo
Do milhano
Ao vento leste
Nem a rota
Da gaivota
Ao vento norte
Nem toda
A força do pano
Todo o ano
Quebra a proa
Do mais forte
Nem a morte
Já o mundo
Se não lembra
De cantigas
Tanta areia
Suja tanta
Erva daninha
A nenhuma
Porta aberta
Chega a lua
Cai a flor
Da laranjeira
À cova incerta
Nem o voo
Do milhano
Ao vento leste
Nem a rota
da gaivota
ao vento norte
Nem toda
a força do pano
todo o ano
Quebra a proa
do mais forte
nem a morte
Entre as vilas
E as muralhas
Da moirama
Sobre a espiga
E sobre a palha
Que derrama
Sobre as ondas
Sobre a praia
Já o tempo
Perde a fala
E perde o riso
Perde o amor
(José Afonso)
Dar voz a quem não tem voz, a quem merece ser feliz. Sem balas, sem as miseráveis balas:
ZECA 01-CHAMARAM-ME CIGANO
Chamaram-me um dia
Cigano e maltês
Menino, não és boa rez
Abri uma cova
Na terra mais funda
Fiz dela
A minha sepultura
Entrei numa gruta
Matei um tritão
Mas tive
O diabo na mão
Havia um comboio
Já pronto a largar
E vi
O diabo a tentar
Pedi-lhe um cruzado
Fiquei logo ali
Num leito
De penas dormi
Puseram-me a ferros
Soltaram o cão
Mas tive
o diabo na mão
Voltei da charola
de cilha e arnês
Amigo, vem cá
Outra vez
Subi uma escada
Ganhei dinheirama
Senhor D. Fulano Marquês
Perdi na roleta
Ganhei ao gamão
Mas tive
O diabo na mão
Ao dar uma volta
Caí no lancil
E veio
O diabo a ganir
Nadavam piranhas
Na lagoa escura
Tamanhas
Que nunca tal vi
Limpei a viseira
Peguei no arpão
Mas tive
O diabo na mão
(José Afonso)
No meio do silêncio, em Coimbra, rebenta um fabuloso petardo, "lançado" por um cidadão brasileiro. Em Coimbra, em todo o Mundo onde se respira "a verde e branco", o levezinho é, cada vez mais, a alegria do meu (nosso) povo !
(Adenda-Fixem este nome: Roberto Brum. Custódio, por exemplo, "fica-lhe a léguas")
«...EXMO. SR. DUQUE DE CADAVAL:
SE MEU NASCIMENTO, EMBORA HUMILDE, MAS TÃO DIGNO E HONRADO COMO O DA MAIS ALTA NOBREZA, ME COLOCA EM CIRCUNSTÂNCIA DE V. EXCIA.ME TRATAR POR TU, CAGUEI PARA MIM QUE NADA VALHO.
SE O ALTO CARGO QUE EXERÇO, DE CORREGEDOR DA JUSTIÇA DO REINO EM SANTARéM, PERMITE A V. EXCIA., CORREGEDOR MOR DA JUSTIÇA DO REINO, TRATAR-ME ACINTOSAMENTE POR TU, CAGUEI PARA O CARGO.
MAS, SE NEM UMA NEM OUTRA COISA CONSENTEM SEMELHANTE LINGUAGEM, PEÇO A V. EXCIA.QUE·ME INFORME COM BREVIDADE SOBRE ESTAS PARTICULARIDADES, POIS QUERO SABER AO CERTO SE DEVO OU NãO CAGAR PARA V. EXCIA.
SANTARÉM, 22 DE OUTUBRO DE 1795.
PINA MANIQUE-CORREGEDOR DE SANTARÉM...»
O Mestre pelo Boss
O norte-americano Bruce Springsteen encontra-se a trabalhar num álbum de versões de Pete Seeger. O repertório escolhido pelo boss pretende homenagear o ícone da folk.
No registo intitulado «The Seeger Sessions» constam temas clássicos como «If I Had a Hammer» e «Where Have All the Flowers Gone?».
O trabalho tem edição prevista para Maio e contem colaborações de Patti Scialfa, Soozie Tyrell e outros músicos ligados ao movimento folk.
(in Diário Digital)
Si tienes mucho, da mucho; si tienes poco, da poco; pero da siempre.
(Biblia, Libro de Tobías)
Carta de Intenções do Movimento de Intervenção e Cidadania
1. O Movimento Intervenção e Cidadania ( MIC ) é um movimento cívico que tem a sua génese na candidatura de Manuel Alegre à Presidência da República, mas não se reclama dos votos por ele obtidos. Constitui-se para continuar a defender o conjunto de causas e valores propostos no seu Contrato Presidencial e outros que possam vir a emergir.
2. O MIC tem como objectivos contribuir, através da intervenção cívica, para o aprofundamento da democracia participativa inscrita no artigo 2º da Constituição da República, para a renovação geral da nossa vida democrática e para o cumprimento das metas morais e sociais da Constituição.
3. O MIC é um movimento independente, transversal e aberto a filiados ou não filiados em qualquer partido político.
4. O MIC não tem intuito de se constituir em partido político. É um espaço de cidadania do qual poderão beneficiar as instituições democráticas e os próprios partidos políticos.
5. O MIC promoverá debates sobre temas relevantes tanto de âmbito local como geral e dinamizará a realização de petições, acções populares e iniciativas legislativas de cidadãos, com vista à concretização dos seus objectivos.
6. O MIC propõe-se projectar as suas actividades e iniciativas no espaço público da cidadania, incluindo os meios de comunicação social e as novas tecnologias de informação.
7. O MIC aceita a adesão individual e voluntária de cidadãos e cidadãs que concordem com estes objectivos e valores, através da inclusão em lista nacional de participantes publicamente disponibilizada e regularmente actualizada.
8. As pessoas que participam no MIC não estão sujeitas a qualquer disciplina de grupo.
9. O MIC organiza-se em rede, de forma não hierárquica, através de núcleos de cidadãos e cidadãs que voluntariamente se queiram constituir como tal para participar e promover iniciativas que se enquadrem nos objectivos do MIC .
10. As actividades de coordenação do MIC são desenvolvidas por uma Comissão Coordenadora Provisória.
(Aprovado em Coimbra em 18.02.06)
São dezanove anos de saudade, nestes tempos em que ainda não deram o poder à malta.
«...Não me arrependo de nada do que fiz. Mais: eu sou aquilo que fiz. Embora com reservas acreditava o suficiente no que estava a fazer, e isso é o que fica. Quando as pessoas param há como que um pacto implícito com o inimigo, tanto no campo político como no campo estético e cultural. E, por vezes, o inimigo somos nós próprios, a nossa própria consciência e os alibis de que nos servimos para justificar a modorra e o abandono dos campos de luta...José Afonso...»
Há momentos, ainda que raros, em que sinto orgulho na Justiça do meu País !
O desafio foi paupérrimo. Ganhou quem rematou à baliza. O meu único contentamento reside no facto de alguns amigos terem ficado contentes. Isso basta-me.
Em Nairobi, Quénia, depois de um criterioso processo de recrutamento com entrevistas, testes e dinâmicas de grupo, uma grande empresa contratou um grupo de canibais para fazerem parte da sua equipa.
- Agora fazem parte de uma grande equipa - disse o Director de R.H. durante a cerimónia de boas vindas. - Vocês vão desfrutar de todos os benefícios da empresa. Por exemplo, podem ir à cantina da empresa quando quiserem para comer alguma coisa. Só peço que não comam os outros empregados, por favor!
Quatro semanas mais tarde, o chefe chamou-os:
- Vocês estão a trabalhar bastante e eu estou satisfeito. Mas a mulher que serve o café desapareceu. Algum de vocês sabe o que pode ter acontecido?
Todos os canibais negaram com a cabeça. Depois do chefe ir embora, o líder canibal pergunta-lhes:
- Quem foi o idiota que comeu a mulher que servia o café?
Um deles, timidamente, ergueu a mão.
O líder respondeu:
- Mas tu és mesmo uma besta! Nós estamos aqui, com esta tremenda oportunidade nas mãos. Já comemos 3 directores, 2 subdirectores, 5 assessores, 2 coordenadores, e uns 3 administradores, durante estas 4 semanas, sem ninguém perceber nada. E poderíamos continuar ainda por um bom tempo. Mas não... Tu tinhas de estragar tudo e comer uma pessoa que faz falta!"
E OS MEUS AMIGOS, ACHAM QUE FAZEM FALTA NAS VOSSAS EMPRESAS ?
O jantar, como tantos outros, simples. E, dentro do possível, saudável (leia-se anti-colestrol). Mas o tinto, particular, de Alenquer, aqueceu-nos os corpos e as almas. E soltaram-se as palavras. Sentidas, embora algo embrulhadas. São as mais sentidas, as que se embrulham, no turbilhão dos sentimentos mais fortes. Companheiro. Companheira.
Eu Sou Português Aqui
Eu sou português
aqui
em terra e fome talhado
feito de barro e carvão
rasgado pelo vento norte
amante certo da morte
no silêncio da agressão.
Eu sou português
aqui
mas nascido deste lado
do lado de cá da vida
do lado do sofrimento
da miséria repetida
do pé descalço
do vento.
Nasci
deste lado da cidade
nesta margem
no meio da tempestade
durante o reino do medo.
Sempre a apostar na viagem
quando os frutos amargavam
e o luar sabia a azedo.
Eu sou português
aqui
no teatro mentiroso
mas afinal verdadeiro
na finta fácil
no gozo
no sorriso doloroso
no gingar dum marinheiro.
Nasci
deste lado da ternura
do coração esfarrapado
eu sou filho da aventura
da anedota
do acaso
campeão do improviso,
trago as mão sujas do sangue
que empapa a terra que piso.
Eu sou português
aqui
na brilhantina em que embrulho,
do alto da minha esquina
a conversa e a borrasca
eu sou filho do sarilho
do gesto desmesurado
nos cordéis do desenrasca.
Nasci
aqui
no mês de Abril
quando esqueci toda a saudade
e comecei a inventar
em cada gesto
a liberdade.
Nasci
aqui
ao pé do mar
duma garganta magoada no cantar.
Eu sou a festa
inacabada
quase ausente
eu sou a briga
a luta antiga
renovada
ainda urgente.
Eu sou português
aqui
o português sem mestre
mas com jeito.
Eu sou português
aqui
e trago o mês de Abril
a voar
dentro do peito.
(José Fanha)
Cautela, muita cautela. Primeiro um western, agora a coboiada da política nacional. O lobby deles volta a atacar.
A D. Maria Cavaca, organista numa igreja, tem 80 anos e é solteira. Era admirada por todos pela sua simpatia e doçura. Uma tarde, convidou o novo padre da igreja para ir lanchar a sua casa e ele ficou sentado no sofá, enquanto ela foi preparar um chá. Olhando para cima do órgão, o jovem padre reparou numa jarra de vidro com água e, lá dentro, boiava um preservativo. Quando a D. Maria Cavaca voltou com o chá e as torradas, o padre não resistiu a tirar a sua curiosidade perguntando o porquê de tal decoração em cima do órgão.
E responde ela apontando para a jarra: "Ah! refere-se a isto? Maravilhoso, não é? Há uns meses atrás, ia eu a passear pelo parque, quando encontrei este pacotinho no chão. As indicações diziam para colocar no órgão, manter húmido e que, assim, ficava prevenida contra todas as
doenças.
E sabe uma coisa? Este Inverno ainda não me constipei".
Tantas e tantas horas em directo e nunca tive o prazer de, uma vez mais, ouvir esta "pérola":
Picture yourself in a boat on a river
With tangerine trees and marmalade skies
Somebody calls you, you answer quite slowly
A girl with caleidoscope eyes
Cellophane flowers of yellow and green
Towering over your head
Look for the girl with the sun in her eyes and she's gone
Lucy in the sky with diamonds
Lucy in the sky with diamonds
Lucy in the sky with diamonds, ahhhhh
Follow her down to a bridge by the fountain
Where rocking horse people eat marshmallow pies
Everyone smiles as you drift past the flowers
That grow so incredibly high
Newspaper taxis appear on the shore
Waiting to take you away
Climb in the back with your head in the clouds and you're gone
Lucy in the sky with diamonds
Lucy in the sky with diamonds
Lucy in the sky with diamonds, ahhhhh
Picture yourself on a train in a station
With plasticine porters with looking glass ties
Suddenly someone is there at the turnstile
The girl with caleidoscope eyes
Lucy in the sky with diamonds
Lucy in the sky with diamonds
Lucy in the sky with diamonds, ahhhhh
Hoje, dei com o muito bom e o muito mau na blogosfera. Como na vida, aliás, os extremos tocam-se.
O muito bom - Bom regresso Ana. Um blogue de Ana Anes
O muito mau - a falta de respeito, para não utilizar grosserias, pelos sábios (Fumaças), Nuno. E, muito te agradeço, a deslinkagem aqui para o Sintra Gare.
Um homem passeia tranquilamente por um parque em Nova York quando de repente vê um cachorro raivoso a ponto de atacar a uma
aterrorizada menininha de 7 anos. Os curiosos olham de longe, mas, mortos de medo, não fazem nada. O homem não titubeia e se lança sobre o cachorro, toma-lhe a garganta e o mata.
Um policial que viu o ocorrido se aproxima, maravilhado, dizendo-lhe:
- Senhor, vossa senhoria é um herói. Amanhã todos poderão ler na primeira página dos jornais: "Um valente Nova Yorkino
salva a vida de uma menininha."
O homem responde:
- Obrigado, mas eu não sou de Nova York.
- Bom - diz o policial - Então dirão: "Um valente americano salva a vida de uma menininha."
- Mas é que eu não sou americano - insiste o homem.
- Bom, isso é o de menos... E de onde você é?
- Sou árabe - responde o valente.
No dia seguinte os jornais publicam:
"Terrorista árabe massacra de maneira selvagem um cachorro americano de pura raça, em plena luz do dia e em frente de uma menininha de 7 anos que chorava aterrorizada."
Carguen, apunten, fuego
Cuando no queda nada ya mejor que la lluvia
y entrar en cualquier bar y pedir un Martini
y volver a largarse sin haberlo pagado
y odiar a las parejas que salen de los cines.
Las siete de la tarde, quisiera estar borracho,
hace ya dos semanas que Lucia no me escribe,
no para de llover, camarero otra copa
con alcohol se hace menos mono son a la mili
el capitán nos habla del amor a la patria,
el sargento del orden y de la disciplina
los soldados dormitan, cuentan los días que faltan
o se llenan la panza de vino en la cantina.
Sus madres les envían paquetes con chorizo,
salchichones, embutidos...
Sus novias largas cartas, corazones pintados,
dibujados, dibujados...
la ciudad cuando salen les es hostil y extraña
y las chachas no quieren ya nada con soldados.
Queda el pobre consuelo de andar de cuando en cuando
a aumentar la clientela de una casa de putas
y pasar media hora de amor apresurado
a esa gorda que hace rebaja a los reclutas
y el lunes otra vez, como no mi teniente
tiene mucha razón, si claro, desde luego,
cuerpo a tierra, saluden, media vuelta, de frente,
firmes, alto, descansen, carguen, apunten, fuego.
(Joaquín Sabina)
Chegou-me agora a confirmação. Com efeito, D. Diogo o Agachado e o embaixador iraniano estiveram a delinear os últimos retoques do argumento da próxima peça do nosso ministro. Lá para Outubro, em princípio no Teatro Nacional, a estreia de "Khomeini, o último pacifista". A sala estará decorada com cravos vermelhos, o bar com galos de Barcelos e, nos intervalos, alternadamente, um sorteio entre os presentes. Um tapete ou um gato. Ambos, calculem, persas.
Uma pequena conversa, tudo esclarecido, motivos mais que compreendidos.
Se o Fumaças será sempre uma grande referência como blogue, o João continuará a constituir uma enorme referência como Homem.
E, desculpem, o SINTRA GARE vai continuar.
E agora, João ? E agora, Pedro ?
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Adenda: O Sintra Gare está suspenso por tempo indeterminado.
Música de intervenção em 2006 ? Acho que sim. Mas teremos, de alguma forma, de passar POR AQUI.
Especialmente para a vertente masculina, neste Dia dos Namorados, um excelente presente. Para o que pensa e o que sente. A GENTE CERTA.
NAMORO
Mandei-lhe uma carta
em papel perfumado
e com letra bonita
dizia ela tinha
um sorriso luminoso
tão triste e gaiato
como o sol de Novembro
brincando de artista
nas acácias floridas
na fímbria do mar
Sua pele macia
era suma-uma
sua pele macias
cheirando a rosas
seus seios laranja
laranja do Loge
eu mandei-lhe essa carta
e ela disse que não
Mandei-lhe um cartão
que o amigo maninho tipografou
'por ti sofre o meu coração'
num canto 'sim'
noutro canto 'não'
e ela o canto do 'não'
dobrou
Mandei-lhe um recado
pela Zefa do sete
pedindo e rogando
de joelhos no chão
pela Sra do Cabo,
pela Sta Efigénia
me desse a ventura
do seu namoro
e ela disse que não
Mandei à Vó Xica,
quimbanda de fama
a areia da marca
que o seu pé deixou
para que fizesse um feitiço
bem forte e seguro
e dele nascesse
um amor como o meu
e o feitiço falhou
Andei barbado,
sujo e descalço
como um monangamba
procuraram por mim
não viu ai não viu ai
não viu Benjamim
e perdido me deram
no morro da Samba
Para me distrair
levaram-me ao baile
do Sr. Januário,
mas ela lá estava
num canto a rir,
contando o meu caso
às moças mais lindas
do bairro operário
Tocaram a rumba
e dancei com ela
e num passo maluco
voamos na sala
qual uma estrela
riscando o céu
e a malta gritou
'Aí Benjamim'
Olhei-a nos olhos
sorriu para mim
pedi-lhe um beijo
lá lá lá lá lá
lá lá lá lá lá
E ela disse que sim
(Viriato da Cruz)
"...dirão que tenho a coerência do incoerente e a originalidade de não me importar nada com isso..."
(Agostinho da Silva)
Monólogo de Um Cidadão Frustrado
Penso em voz alta
Até que ouço a mesma voz
Não fale comigo nesse tom
Quero lá saber
Eu quero é ganhar
Até que possa viver só
Sem ter que dar satisfações
Recordo o tempo
Em que a própria noite
Era o Pai Natal
Com o seu saco de prendas
Mais uma vez sonhei com uma mulher
Que me abria as portas
Do Palácio de César
Salta, manhã
São horas de andar
Café, depressa
De novo atrasado
Calma, está quase
Lá vem o patrão
Porra, já está
Aguentei outro dia
Mais um sorriso
Este tem que valer por dois
Em vez do grito que não dei
Faço o meu preço
Faço o leilão
Qualquer um pode concorrer
Mas ninguém será reembolsado, não
Dou uma vista de olhos no jornal
Dez mil contos por uma mansão
Com piscina
Vejo o relógio
Engolir o dia
E os preços a subir de novo
Em Novembro
Salta, manhã
São horas de andar
Café, depressa
De novo atrasado
Calma, está quase
Lá vem o patrão
Porra, já está
Aguentei outro dia
Anoiteceu
Acho que é tempo de pensar
Mas hoje estou tão fatigado
Outro cigarro, outra imperial
Agora já me sinto melhor
Se eu pudesse arranjar o Mundo
Falas em casas debaixo do chão
Para quando as radiações nos ameaçarem
Caio na cama
E fico a cismar
Será mesmo assim
Ou serei eu que estou louco?
Salta, manhã
São horas de andar
Café, depressa
De novo atrasado
Calma, está quase
Lá vem o patrão
Porra, já está
Aguentei outro dia
Porra, já está
Aguentei outro dia
(Jorge Palma)
Estes dois dias de fim de semana foram muito melhores que os cinco dias de trabalho. É sempre assim.
Alguém discorda ? E, em caso afirmativo, quais as razões ?
«Quando não há vinho, bebe-se branco». Hoje, desfez-se o mito. Aquele branco da Abrigada, QUE POMADÃO !
Em breve, rumará ao estrangeiro. Inglaterra, como destino mais provável. E, novamente, breve, presumo. O "final dos dias de glória" do pixote de Sabrosa será no Dragão.
Querem apostar ?
Alguém ouviu ou leu por aí, declarações de Garcia Pereira, pessoa que muito considero e estimo, acerca das "trocas e baldrocas" de D. Freitas, o Agachado ?
Serão, admito, de muito mau gosto, algumas coisas de que tanto gosto. E não é menos verdade que considero de muito mau gosto, algumas coisas de que os outros tanto gostam.
Qual é o problema ?
Turbulência e eu parado,
na revolta silencioso
e na ironia pasmado.
Mas à tua carícia murmurei apaixonado
Companheira.
(original de 2006/02/09)
A professora pergunta ao Joãozinho:
- Joãozinho, do que você mais gosta na vida ?
- De tu, professora!
- Ah! Muito obrigada! E de que mais você gosta?
- De Tota-tola, de tafé e de taipirinha !
SENTENÇA PROFERIDA EM 1487 NO PROCESSO CONTRA O PRIOR DE TRANCOSO
(Autos arquivados na Torre do Tombo, armário 5.º,maço 7)
“Padre Francisco da Costa, prior de Trancoso, de idade de sessenta e dois anos, será degredado de suas ordens e arrastado pelas ruas públicas nos rabos dos cavalos, esquartejado o seu corpo e postos os quartos, cabeça e mãos em diferentes distritos, pelo crime que foi arguido e que ele mesmo não contrariou, sendo acusado de ter dormido com vinte e nove afilhadas e tendo delas noventa e sete filhas e trinta e sete filhos; de cinco irmãs teve dezoito filhas; de nove comadres trinta e oito filhos e dezoito filhas; de sete amas teve vinte e nove filhos e cinco filhas; de duas escravas teve vinte e um filhos e sete filhas; dormiu com uma tia, chamada Ana da Cunha, de quem teve três filhas, da própria mãe teve dois filhos. Total: duzentos e noventa e nove, sendo duzentos e catorze do sexo feminino e oitenta e cinco do sexo masculino, tendo concebido em >cinquenta e três mulheres".
“El-Rei D. João II lhe perdoou a morte e o mandou por em liberdade aos dezassete dias do mês de Março de 1487, com o fundamento de ajudar a povoar aquela região da Beira Alta, tão despovoada ao tempo e guardar no Real Arquivo da Torre do Tombo esta sentença, devassa e mais papéis que formaram o processo".
Pastor
Meu cão:
seus olhos castanhos,
tamanhos
de compreensão.
Meu cão:
seus olhos castanhos,
tamanhos
de mansidão.
Seu nome é Pastor:
seus olhos castanhos,
tamanhos
de amor.
Meu cão...
Em Havana, Cuba, vai um garoto pela estrada, cruza-se com Fidel Castro. Este, ao ver que o garoto o ignora, pergunta-lhe:
- Oye niño, sabes tú quién soy yo?
- No señor, no se quién es usted, ni me interesa.
Fidel muito chateado diz-lhe: Como castigo por no conocer al comandante Castro, ahora mismo tienes que decirme 20 palabras que comiencen con la letra "C" para que nunca más en tu vida se te olvide que mi apellido es Castro con la letra "C".
E o miudo diz:
- Compañero Comandante Castro, cómo y cuando, carajo, comeremos carne con cerveza Corona como comen los cabrones comilones del Comité Central Comunista Cubano...?
Fidel ficou de boca aberta, e após um momento disse: Falta una!
E o miudo concluiu: Cabrón!
Compreendo muito bem o meu querido amigo artesão no seu post "trinta e um meses na blogoesfera". Mas, mesmo que não leiam o que escrevemos e/ou nem comentem, não é tão bonito libertarmos as nossas palavras para partilha ? E quando se tratam das tuas palavras, meu querido amigo, tão carregadas de sensibilidade e beleza, deverás sentir-te "um senhor" por as colocares à nossa disposição. Ler e/ou comentar o que escreves, já é exclusivamente um problema nosso. Tu cumpriste a tua missão. E bem, muito bem.
D. Dinis, filho de D. Duarte duque de Bragança, pretendente ao trono de Portugal, dirigiu-se ao pai e disse:
- Paizinho, sou gay.
- Não, meu filho - respondeu D. Duarte. Eu é que sou Guei, a mãezinha é gainha e tu és pguincipe.
Manual para héroes o canallas
Aprender a reírse torvamente,
a mirar de reojo en los bautizos,
a negar el asiento a las señoras,
a orinar dibujando circulitos.
Aprender a fruncir el entrecejo,
a enfadar a las monjas y a los niños,
a poner zancadillas al guardia urbano,
a escupir sin piedad por un colmillo.
Preferir la navaja a la pistola,
el vino peleón al Jerez fino,
el infame pañuelo a la corbata,
una venus de Murcia a la de Milo.
Aprender a cortarse la cabeza,
a vestir negro luto de domingos,
a decir palabrotas en los trenes,
a jugar al parchís con los bandidos.
Apurar los licores del fracaso,
trasladarse a vivir al barrio chino,
propagar mil rumores alarmantes,
aprender a ser malo y fugitivo.
(Joaquín Sabina)
-Onde é que tu estavas? - pergunta a mãe à menininha.
-No quarto, a brincar aos médicos com o Joãozinho. Ele era o médico e eu a doente.
A mãe dá um grito e um salto da cadeira .
- Aos médicos!?!
- Médicos da Caixa, mãe... Ele nem me atendeu! Daaahhh!!!....
Intervalo. STOP. Joaninha, ainda que medicada, continua com febre.STOP. Vou , é claro, fazer-lhe companhia. STOP. Amanhã já não vou a Alvalade. STOP. O Liedson talvez resolva. STOP. Talvez. STOP. O SINTRA GARE seguirá quando houver disponibilidade. STOP. Obrigado, compañero. STOP.
O Jacinto vai muito mal a matemática. Os pais já tentaram de tudo:aulas particulares, brinquedos educativos, centros especializados, terapia, etc., mas nada adiantou. Então, ouvem dizer que há uma escola de freiras no bairro que é muito boa e resolvem fazer mais esta tentativa. No primeiro dia, Jacinto volta para casa com cara séria e vai directo para o quarto, sem cumprimentar a mãe. Senta-se na escrivaninha e estuda. Estuda sem parar.
A mãe chama-o para jantar. Ele janta rápido e volta imediatamente aos estudos. A mãe nem acredita!?! E isto, dura algumas semanas. Um dia, Jacinto volta para casa com as notas, que entrega a mãe: 20 a matemática !!!...
A mãe não se contém, e pergunta:
- Filho, conta a mãe o que te fez mudar? Foram as freiras?
Jacinto balança a cabeça negativamente.
- O que foi, então? - insiste a mãe.Foram os livros, a disciplina, a estrutura de ensino, o uniforme, os colegas? O QUE FOI ?!?...
Jacinto olha para a mãe e diz:
- No primeiro dia quando vi aquele sujeito pregado no sinal de "mais", percebi logo que elas não estavam a brincar.
Intervalo. STOP. Joaninha, ainda que medicada, cheia de febre.STOP. Vou fazer-lhe companhia. STOP. O SINTRA GARE seguirá dentro de momentos. STOP.
A Estrada do Sucesso
Há alguns anos atrás
Deste por ti numa encruzilhada
Sabias que tinhas muito que andar
Só não sabias qual havia de ser a estrada
Querias dar-te a conhecer
Fazendo o que gostavas de fazer
E desse modo, talvez chegasses a enriquecer
E apontaste
À estrada do sucesso
Não é caminho fácil, não
Que eu também por lá andei
Sei o que custa vender
O que nos vem no coração
Bates à porta da companhia
E se acaso lhes agrada a tua melodia
Assinas um contrato e a partir daí
Eles tratam de te entregar à multidão
Pensa bem
Se te dá gozo viver
E ainda és novo
Não te esgotes para nada
Guarda um pouco do teu melhor
E leva-o contigo até ao fim da estrada
O público pode ser cruel
A ponto de um dia veres todo o teu mel
Falsificado, envenenado, transformado em fel
Se te entregares
À estrada do sucesso
Não é caminho fácil, não
Que eu também lá tenho andado
Sei o que custa vender
O que nos vem no coração
Bates à porta da companhia
E, se acaso, lhes agrada a tua melodia
Assinas um contrato e a partir daí
Eles tratam de te entregar à multidão
Vê lá bem
Não sei se o faça, se não
Estive a pensar noutro dia
Se hei-de vender a minha alma
À Companhia
Mas por mais que eles me pagassem
Era sempre eu quem perdia
Eu gosto muito de dinheiro
Mas gosto mais de alegria
(Jorge Palma)