maio 03, 2005

CORRENTE DE LITERATURA

Há já algumas semanas que circula pela blogosfera, tendo agora chegado aqui ao Sintra Gare. Através do bom amigo Vicktor, notável artesão da Oficina das Ideias e um homem a quem só reconheço qualidades. Se a vida tivesse dado outras voltas, imaginemos que este tipo podia ter sido meu pai. Gostaria eu? Claro que sim.

Ao escolher o Sintra Gare, escreveu este bom amigo: " Ao meu querido amigo Pedro, do Sintra-Gare, responsável primeiro pela existência da Oficina das Ideias, ainda na forma de “cadernos pretos” da Âmbar. Amigo do coração, homem justo, marido e pai extremoso. Um Homem completo, que além do mais é apreciador de “um com gelo” no British Bar".

Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?

Bom, confesso que nunca hei-de conseguir queimar livros e quanto a Bombeiros, as nossas relações não têm sido as melhores. O livro que quereria ser, diria apenas que gostaria de ser um livro de reclamações. As pessoas têm que manifestar a sua indignação, porque o tempo que passa é cada vez mais um tempo de reclamar. Faz-nos falta «...agitar a malta...», pois andamos cada vez mais a comer «...o pão que sabe a merda...». Saudoso Zeca, a falta que sinto em me (nos) fazeres tanta falta.

Já alguma vez ficaste apanhadinha(o) por um personagem de ficção?

Já, muitas vezes. Numa fase da minha vida, os "garanhões" idealizados por Henry Miller naquela vida louca especialmente em Paris. Mais recentemente, os "guerrilheiros" do chileno Luis Sepulveda. Nos tempos actuais, aumenta enormemente a minha vontade de lutar e exterminar os filhos da puta. Sejam eles de direita ou, pelo contrário (pelo contrário?), apregoem-se eles de esquerda. Um filho da puta é sempre um filho da puta. Nos Governos, nas oposições, nas escolas, nas empresas, na Casa Branca, em Havana, no Vaticano.

Qual foi o último livro que compraste?

A misteriosa chama da Rainha Luana, de Umberto Eco, cujo texto da contracapa me entusiasmou. Trata-se da história de um homem que teve um AVC que lhe fez perder a memória; não reconhece ninguém e refugia-se na sua casa de campo onde, lentamente, vai lendo os livros e observando as ilustrações de quando era criança. Paulatinamente, entre muitos outros, vão desfilando Mussolini, Salgari, Flash Gordon, o fascismo, a Resistência, o amor. Deve ser fascinante.

Qual o último livro que leste?

Os Gémeos de Black Hill, de Bruce Chatwin. Leitura empolgante, as habituais descrições pormenorizadas da fauna e flora, as relações humanas, a miséria, as famílias, o trabalho, a ganância, o País de Gales. Este ano já li do mesmo autor, o imprescindível "Na Patagónia" e o não menos interessante "O canto nómada". Bruce Chatwin foi o viajante que eu nunca virei a ser e usa os Moleskines, vício que também pratico.

Que livro estás a ler?

Diário Flagrante, de Fernando Alves dos Santos. Foi um poeta do Surrealismo juntamente com, por exemplo, Mário Henrique Leiria, António Maria Lisboa e Mário Cesariny. Não sou um habitual leitor de poesia, fico-me amiúde e apenas pelo Sérgio Godinho e pelo Jorge Palma, mas como conheço e gosto muito da viúva, estou com muito interesse em ler. Os últimos anos do Poeta foram passados aqui em Mem Martins. Foi um resistente, um tipo quase sempre perseguido pela PIDE, essa sinistra instituição cuja história parece que não nos querem dar a conhecer mais aprofundadamente. Talvez estejam mais interessados em que só saibamos a história do TIDE. Percebes, sempre fica a coisa mais branqueada, sem nódoas, não se apontam nomes.

Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?

Papillon, de Henri Charriere, edição Bertrand – Este funcionaria fundamentalmente como um manual de fuga. Afinal de contas, que crime cometi para vir parar a uma ilha deserta ?

Ensaio sobre a Lucidez, de José Saramago, edição Caminho – Apesar de não ser um saramaguiano convicto, destaco esta obra pelo enredo criado. Numa ilha deserta, era bom saber que não tinha nas imediações um primeiro ministro como Lopes, um ministro da Defesa como Portas, um Presidente da Câmara como Lopes (será o mesmo que indiquei como primeiro ministro'?).

As aventuras de Robinson Crusoe, de Daniel Defoe, edição Público – Seria uma espécie de manual de sobrevivência e funcionaria muitas vezes como o meu Pantagruel.

Estórias de Alvalade, de Luis Miguel Pereira, edição Prime Books –.Glórias, glórias e mais glórias. Curioso também pelofacto de muitas delas terem por mim sido vividas. Lá. Só eu sei porque não fico em casa.

Livro Diário-Razão-Balancete, edição Rei dos Livros – Curiosamente, não registava unidades monetárias, mas apenas datas e factos da minha vida até ter vindo parar à minha ilha deserta. Depois, cada facto conforme a sua valoração afectiva seria classificado como débito ou como crédito.

A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?

Ao meu amigo e compañero João Tunes, do Água Lisa, uma referência para mim em termos de postura perante o trabalho e a vida. Gostava de saber escrever como ele mas esse dom só reconheço também nos meus amigos Jorge Afonso e Manuel Lourenço e no escritor Luis de Sttau Monteiro.

Ao meu amigo e consócio João Carvalho Fernandes, do Fumaças, um tipo com classe. Classe pura. Nos gostos e na forma de encarar as pessoas e o País.

Ao companheiro da blogosfera Francisco, do Aviz, que não conheço pessoalmente, mas de quem sou um grande admirador. A sua última obra, "Longe de Manaus" é um livro fabuloso.

Publicado por Killer Sentimental em maio 3, 2005 11:10 PM
Comentários

Lendo seu "Site" encontre comentario sobre o livro Papillon, Aliais esse livro e fantástico. Entretanto já foi comprovado que Henri Charrière jamais escreveu livro, ele se apropriou dos manuscritos do roteiro do filme Papillon escrito pelo fugitivo escritor René Belbenoit, pagou para que fosse modificado para dar-se a entender se ele o autor, mais quando apareceu na França para promover o livro entrou em muitas contradições, chagando ao desespero de afirma que o livro era uma obra coletiva e que ele não vivenciara aqueles fatos.

Sobre esse assunto já publiquei dois livros: A Farsa de Um Papillon – A História Que A França Quer Esqucer” editado em 1999 e “Papillon O Homem Que Enganou O Mundo”,.

Para saber mais, sobre esse assunto, acesse: resumopapillon@hotmail.com coloque a senha (roraima) e veja resumo de 12 anos de investigação, nele desvendamos uma das maiores farsas da literatura mundial.

Divulgue essa descoberta.


Platão Arantes
plataopapillon@bol.com.br
platonarantes@yahoo.com.br

Afixado por: Platão Arantes em julho 7, 2005 04:52 PM