Embora esteja a trabalhar, concordo com a ponte de hoje. Afinal de contas, o quatro de Outubro é o dia da Arquitectura.
E vou ouvindo este Cálice.
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue
Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta
Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada pra a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa
De muito gorda a porca já não anda
De muito usada a faca já não corta
Como é difícil, pai, abrir a porta
Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito, resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade
Talvez o mundo não seja pequeno
Nem seja a vida um fato consumado
Quero inventar o meu próprio pecado
Quero morrer do meu próprio veneno
Quero perder de vez tua cabeça
Minha cabeça perder teu juízo
Quero cheirar fumaça de óleo diesel
Me embriagar até que alguém me esqueça.
(Chico Buarque)
E como é, também, o dia do animal, é justo que os mesmos descansem.
Mais a sério. Acho que esta "ponte" não faz sentido. Mas um rebuçado o povo sempre agradece.
O País já não está de tanga. Agora já usa cueca de gola subida, portanto... venha de lá o feriadito que dá um jeito do caraças.
Um abração do
Zecatelhado
Claro que a ponte deve ser gozada, mas que é um presente envenenado também é.
Li uma frase do Rui Tavares no Barnabé excelente e que sintetiza tudo:
quem luta por direitos, dispensa favores!