Há ideias que, por muito que tentemos, não conseguimos de forma alguma passar para o papel. Falta de competência, falta de inspiração ? Talvez. E, assim, ficamos radiantes quando alguém afirma tudo aquilo que nós nunca conseguiremos escrever.
Vem isto a propósito da entrevista que Joaquim Benite, "o pai" do Festival Internacional de Almada, deu à jornalista Lucinda Canelas, as fotos são de Carlos Lopes, e publicada na última edição da "Pública", para quem não sabe, a revista que acompanha o "Público" aos domingos.
«...um homem verdadeiramente de esquerda...» / «...mas na Assembleia não estava disposto a pedir autorização ao partido para falar...» /. «...sempre tive uma costela anarquista e, por isso, nunca pude criar raízes no aparelho de um partido...». Quando o jornalista o questiona sobre o que é preciso para se ter "habilidade política", Benite não hesita:
«...estar disposto a prescindir de uma certa liberdade e ser capaz de dizer o que é necessário em vez do que é verdadeiro...».
A conclusão que tiro da entrevista é a de que, muito provavelmente,.não voto no partido em que vota Joaquim Benite.
Mas se um dia, eu próprio, escrevesse a minha auto-biografia, não encontraria palavras mais adequadas.
OBRIGADO, JOAQUIM BENITE !
Caro Pedro. Sempre gosto de ouvir dizer bem de um amigo. O Quim foi um jovem com dificuldades economicas que subiu à custa do seu trabalho e do seu virtuosismo. Foi meu companheiro de infância e somente bem tarde o voltei a encontrar aqui pelas bandas de Almada. Ele vota bem, no meu ponto de vista mas não precisa de se vergar a nenhum poder. Um abraço.
Afixado por: Vicktor em julho 23, 2004 06:07 PM